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Elevador da Glória. Vítimas e familiares exigem "comunicação, transparência, apoio e responsabilização"
Carta aberta de familiares e vítimas, escrita em inglês, critica o silêncio das autoridades e lamenta a falta de contacto das autoridades com todos os envolvidos na tragédia.
“Um ano depois, nós, as vítimas e famílias afetadas, sentimos que precisamos de falar.” É desta forma que começam a carta aberta, escrita em inglês, e divulgada esta quarta-feira, um dia antes do primeiro aniversário do acidente do Elevador da Glória, em Lisboa.
Na missiva de três páginas, a que a RTP teve acesso, vítimas e familiares dizem que continuam à espera de respostas, apoio e responsabilização e criticam a ausência de comunicação ao longo dos últimos 12 meses, escrevem.
"O que estamos a pedir é mais simples do que isso: comunicação. Transparência. Apoio. Responsabilização”, pode ler-se na carta.
Os subscritores reconhecem que "a investigação ainda está a decorrer e que as respostas concretas levam tempo. Não estamos a pedir que ninguém se apresse ou tire conclusões antes de os factos serem conhecidos", sublinham.
"É difícil não nos sentirmos esquecidos"
Para as famílias afetadas pela tragédia, o último ano foi marcado não apenas pelo luto, mas também pela incerteza e pela sensação de ausência de informação.
"Para a maioria de nós, este ano não foi apenas sobre o luto. Foi sobre esperar por informações que nunca chegam e sentir que ninguém está realmente a falar connosco", afirmam.
A crítica é particularmente dirigida à comunicação com as famílias que vivem fora de Portugal.
Segundo a carta, o convite para a inauguração do memorial dedicado às vítimas que acontece esta quinta-feira, foi a única comunicação direta que alguns tiveram no último ano da parte da Câmara Municipal de Lisboa.
Os familiares dizem compreender a importância do memorial e mostram-se agradecidos por as vítimas serem lembradas. No entanto, consideram que esse tenha sido, para muitos, o único contacto direto com a autarquia.
Na carta, é também feito um pedido para não serem esquecidos. "Estamos a pedir para sermos tratados como pessoas, não como papelada", salientam.
Famílias contestam condicionamento de jornalistas na cerimónia
A carta aborda ainda a inauguração do memorial, que acontece esta quinta-feira, e a decisão de a autarquia de Lisboa de condicionar a presença de jornalistas no local, com a justificação de respeitar a privacidade das famílias.
"Compreendemos a intenção por detrás disso. Mas, para muitos de nós, pareceu errado", afirmam.
"Depois de um ano de silêncio, aquilo de que precisávamos não era de ser protegidos da conversa pública — era de, finalmente, fazer parte dela", defendem.
"Neste primeiro aniversário, acreditamos que é importante que as pessoas ouçam diretamente aqueles que continuam a viver com o que aconteceu", explicam.
Na carta composta por três páginas, os familiares apresentam um rol de pedidos que passam por uma comunicação regular, clareza sobre quem recaem as responsabilidades do acidente, respostas sobre a manutenção e as inspeções no equipamento, informações precisas sobre o apoio disponível para as famílias, transparência quanto ao auxílio financeiro anunciado para as vítimas, processo mais ágil para acionar seguros, acesso mais célere aos documentos de que precisam.
No documento, é referido também que muitos dos familiares foram obrigados a contratar advogados só para "obter respostas básicas, lidar com a burocracia e tentar ser ouvidos pelas instituições portuguesas", escrevem. “Isto não deveria ser necessário um ano após perdermos que amávamos”, adiantam.
O acidente do Elevador da Glória ocorreu a 3 de setembro de 2025, em Lisboa. O desastre provocou 16 mortos, além de vários feridos, e deu origem a uma investigação que, um ano depois, permanece em curso.